Fusões e Aquisições entre Portugal e Países Emergentes registam crescimento sem precedentes, liderado por Angola e Brasil

O mais recente estudo da A.T. Kearney – "Tendências geoestratégicas globais em fusões e aquisições transnacionais e o caso de Portugal" – revela um crescimento ímpar das fusões e aquisições (M&A) entre Portugal e os países emergentes, nos últimos três anos.

De acordo com os dados do estudo, apesar de praticamente inexistente até 2005, o valor das operações de M&A entre Portugal e países emergentes registou um crescimento galopante – de 2% para 21% entre 2005 e 2008 –, convergindo, assim, rapidamente com a realidade dos demais mercados europeus (EU15).

O estudo revela ainda que cerca de cinco por cento da capitalização do PSI 20 (três mil milhões de euros), se encontra na posse de empresas originárias de mercados emergentes – um valor três a cinco vezes superior, quando comparado com os demais índices bolsistas europeus (exemplo: IBEX 35, CAC 40, DAX 30). Angola e Brasil têm um perfil de investimento contínuo no nosso país, representando mãos de 60% do valor global de operações de M&A oriundas de mercados emergentes.

O volume total de M&A entre Portugal e os países emergentes passou de 60 milhões de euros em 2005, para mais de 1.100 milhões de euros em 2008. Tradicionalmente, Portugal investiu mais nos mercados emergentes, do que vice versa, mas pela primeira vez em 2008 os países emergentes ultrapassam o nosso investimento nesses mercados.

Apesar desta tendência, a natureza das operações difere de forma notória. As operações lideradas por empresas portuguesas são, sobretudo, aquisições maioritárias com vista à expansão internacional. Pelo contrário, as operações lideradas a partir de países emergentes são quase exclusivamente minoritárias em empresas de maior dimensão.

Angola é o maior investidor

O estudo aponta para Angola como o principal investidor em participações bolsistas, com três por cento do total do PSI20, seguido pelo Brasil com um por cento. Em termos globais, os investimentos são maioritariamente dirigidos às empresas cotadas no PSI20, com 92 por cento do total. Apenas oito por cento das aquisições são realizadas em outras empresas fora do PSI20. 

Embora o perfil das operações de M&A das empresas de mercados emergentes em Portugal seja, quase exclusivamente, em posições minoritárias, as empresas de países emergentes acabam por ter um lugar de destaque na base accionista de várias grandes empresas nacionais, decorrente da elevada dispersão de capital, revela o estudo da A.T. Kearney.

O Angola e Brasil são os países emergentes com os quais Portugal tem maior volume de operações bilaterais de M&A, totalizando mais de 1,7 mil milhões de euros entre 2005 e 2008. No que respeita aos mercados alvo das operações lideradas pelas empresas portuguesas, o Brasil assume um lugar de destaque, seguido pela Turquia e Polónia. No que respeita às operações com destino em Portugal, Angola e seguidamente o Brasil destacam-se pelo seu volume – mais de 60% do valor global de operações de países emergentes – e por serem investidores de carácter contínuo.

Em Portugal, como em outros países, o crescimento de M&A lideradas a partir de países emergentes tem sido suportado, em grande medida, pelas empresas ligadas ao sector energético e pelos fundos soberanos, sobretudo de países produtores de petróleo, com o intuito de diversificação de risco.

Retoma do crescimento do M&A com mercados emergentes

Para os próximos anos, a A.T. Kearney antecipa uma importância uma retoma do crescimento de operações de M&A, sobretudo oriundas de mercados emergentes sustentado nos seguintes factores: (i) estabilização do mercado de capitais; (ii) esgotamento de modelos de negócio empresariais em mercados maduros; (iii) recuperação dos mercados de commodities; (iv) maior crescimento das economias de países emergentes; (v) necessidade crescente de colocação de fundos em economias estáveis como forma de diversificação de risco.

Apesar dos riscos teóricos associados à perda de poder e controlo deste tipo de operações, importa relembrar que existem oportunidades que poderão ser materializadas mediante a definição de modelos de colaboração adequados com os novos accionistas, sedimentando um maior alinhamento estratégico para oportunidades de crescimento conjunto.

Clique aqui para descarregar o estudo.

 
 

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